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Valor das peças de xadrez: a tabela e quando ela falha

Quanto vale cada peça de xadrez em peões, como usar a tabela 1-3-3-5-9 para decidir uma troca e por que o valor real muda conforme a posição.

Por AcademiaTal8 min de leitura

O valor das peças de xadrez é medido em peões: o peão vale 1, o cavalo 3, o bispo 3, a torre 5 e a dama 9. O rei não tem número, porque não pode ser trocado. Essa tabela serve para saber num relance se uma troca compensa, mas é um guia e não uma lei: a mesma peça vale mais ou menos conforme a posição, e saber quando isso acontece é o que separa quem conta de quem joga.

A tabela 1-3-3-5-9

A escala clássica, a que aparece em quase todos os manuais, é esta:

  • Peão: 1 ponto.
  • Cavalo: 3 pontos.
  • Bispo: 3 pontos.
  • Torre: 5 pontos.
  • Dama: 9 pontos.
  • Rei: sem valor em pontos.

Os números não são arbitrários: refletem quantas casas cada peça controla numa posição normal e quanto custa ao adversário se defender dela. A dama, que se move como torre e como bispo ao mesmo tempo, vale mais ou menos uma torre mais um bispo e um peão. A torre domina colunas e fileiras inteiras, mas demora a entrar em jogo, e por isso quase não aparece na abertura e manda no final.

Ao somar o material da posição, você conta todas as suas peças menos o rei: na posição inicial cada lado tem 39 pontos (oito peões, dois cavalos, dois bispos, duas torres e uma dama).

Para que serve contar material

A tabela responde à pergunta mais comum de uma partida: essa troca me convém? Alguns exemplos que se repetem o tempo todo:

  • Bispo por cavalo: 3 por 3, uma troca equilibrada. O que decide se convém é a posição, não a conta.
  • Torre por bispo: 5 por 3. Você ganhou dois pontos, o que se chama ganhar a qualidade.
  • Duas peças menores por torre e peão: 6 contra 6. Igual no papel; no meio-jogo as duas peças costumam ser melhores.
  • Dama por torre e bispo: 9 contra 8. Quase igual, e muitas vezes as duas peças coordenadas incomodam mais que a dama sozinha.
  • Peça menor por três peões: 3 contra 3. No meio-jogo quase sempre compensa a peça; no final, os três peões podem ser mais perigosos.

Se você está começando, essa conta vai te poupar dos erros mais caros: entregar uma torre por um cavalo sem ver nada em troca, ou capturar um peão envenenado e perder um bispo. Os erros típicos de iniciante quase sempre começam por não contar.

Bispo contra cavalo: qual vale mais?

Na tabela valem o mesmo, e em média é verdade. Larry Kaufman, que estudou centenas de milhares de partidas de jogadores fortes num artigo publicado na Chess Life em 1999, descobriu que um bispo sozinho e um cavalo valem praticamente o mesmo. O que muda é onde cada um rende:

  • O bispo quer posições abertas. Com diagonais livres e peões nas duas alas, ele atravessa o tabuleiro num lance. Num final com peões nos dois lados, um bispo bom costuma vencer um cavalo.
  • O cavalo quer posições fechadas. Quando as cadeias de peões bloqueiam as diagonais, o bispo fica «mau», preso atrás dos próprios peões, e o cavalo salta por cima de tudo.
  • O cavalo precisa de um posto. Uma casa no centro ou no campo adversário de onde nenhum peão inimigo possa expulsá-lo vale tanto quanto uma peça muito mais ativa.

A pergunta útil não é «qual vale mais?», e sim «essa posição vai se abrir ou se fechar?». Se vai se abrir, fique com o bispo; se vai se fechar, com o cavalo.

O par de bispos

Aqui está a exceção mais importante da tabela. Dois bispos juntos cobrem as fraquezas um do outro: um controla as casas brancas e o outro as pretas, então não há cor onde o adversário possa se esconder. O mesmo estudo de Kaufman estimou que o par de bispos vale cerca de meio peão por si só, e que fica mais valioso à medida que saem peões do tabuleiro e a posição se abre.

Por isso entregar o par precisa de um motivo. Na Variante das Trocas da Abertura Espanhola, as brancas fazem isso de propósito:

1.e4 e5 2.Cf3 Cc6 3.Bb5 a6 4.Bxc6 dxc6

As brancas trocam o bispo pelo cavalo e deixam às pretas os dois bispos. Em troca, as pretas ficam com peões dobrados na coluna c: se os peões centrais forem trocados e se chegar a um final de peões, a maioria de quatro contra três das brancas na ala do rei pode criar um peão passado, e a das pretas na ala da dama, com o peão dobrado, não. É uma troca de vantagens: dois bispos contra estrutura. Nenhuma das duas aparece somando pontos.

A qualidade e as trocas desiguais

A qualidade é a diferença entre uma torre e uma peça menor, uns dois pontos. Ganhá-la é uma vantagem séria: com o resto equilibrado, na maioria dos finais costuma bastar para vencer.

Mas a qualidade também se entrega, e não só por tática. Há posições em que uma torre não tem colunas abertas e um cavalo num posto forte faz mais que ela, ou em que eliminar uma peça defensora quebra a estrutura do adversário e deixa um ataque que não se pode parar. Esse é o terreno do sacrifício posicional, e o curso A arte do sacrifício: peões, peças e qualidade é inteiro dedicado a reconhecer quando a compensação justifica entregar material.

Há outros desequilíbrios que vale conhecer pelo nome:

  • Duas peças menores contra torre e peão. No meio-jogo, as duas peças costumam ser melhores: atacam mais casas e se coordenam contra o rei. No final, a torre ganha valor, e os peões também.
  • Dama contra duas torres. No papel 9 contra 10. Na prática depende da segurança dos reis: se o rei do lado das torres está exposto, a dama dá xeques sem parar; se as torres podem se dobrar contra um alvo, ganham elas.
  • Três peças menores contra dama. 9 contra 9. As três peças costumam se impor se estão coordenadas e se protegem entre si; a dama vence se encontra peças soltas.

O curso Xadrez Magistral: Ataque, Aberturas e Finais tem uma aula sobre trocas de peças desiguais, justamente para aprender a avaliar essas posições sem ficar só na soma.

Quando o material não manda

A tabela conta o que está no tabuleiro, não o que faz. Três coisas podem valer mais que um peão ou até que uma peça:

A atividade e o ataque ao rei

Um sacrifício clássico para aprender isso é o do ataque Fegatello na Abertura Italiana:

1.e4 e5 2.Cf3 Cc6 3.Bc4 Cf6 4.Cg5 d5 5.exd5 Cxd5 6.Cxf7 Rxf7 7.Df3+ Re6

As brancas entregaram um cavalo por um peão: pela tabela, dois pontos a menos. Mas o rei preto ficou no meio do tabuleiro, em e6, e as brancas têm a iniciativa. As pretas podem se defender com lances precisos, mas na prática é uma posição muito difícil de segurar. Aqui o tempo e a segurança do rei valem mais que o cavalo.

Os peões passados

Um peão vale 1 na tabela, mas um peão passado na sétima fileira vale quase uma dama, porque obriga o adversário a usar uma peça inteira para pará-lo. Nos finais, a pergunta não é quantos peões você tem, e sim quais podem promover.

Os empates que a conta não vê

Às vezes uma peça a mais não basta para vencer. O caso mais conhecido é o do bispo «errado» com o peão de torre:

O bispo de casas pretas não controla a8: se o rei preto ficar no canto, é empate.

As brancas têm um bispo e um peão a mais e mesmo assim não conseguem vencer: o peão promove em a8, uma casa branca que o bispo nunca vai controlar, e o rei preto fica ali. Do mesmo modo, um cavalo sozinho ou um bispo sozinho não bastam para dar mate. No guia de finais que você precisa saber estão os mais úteis.

Como usar os valores nas suas partidas

Uma rotina simples, que serve da primeira partida até um torneio:

  1. Antes de cada troca, conte. O que você dá, o que recebe, em pontos. Se perde material, tem que haver um motivo concreto que você saiba nomear.
  2. Se a conta der igual, olhe a posição. Ela vai se abrir ou se fechar? Quem fica com o par de bispos? Que estrutura de peões sobra?
  3. Se você está ganhando material, troque peças, não peões. Com menos peças no tabuleiro, uma vantagem de material pesa mais.
  4. Se está perdendo material, busque complicações. Evite trocas e mantenha as peças ativas: os finais simples favorecem quem tem mais.
  5. Se o adversário entrega material, pergunte-se o que ele quer. Quase nunca é presente: tempo, uma coluna aberta ou um ataque ao rei são as compensações mais comuns.

Quando ficar em dúvida se uma troca desigual estava certa, é o tipo de pergunta que se resolve analisando a partida depois. Se quiser que alguém forte explique, em Pergunte ao GM você pode perguntar sobre um lance concreto. E para o passo seguinte, o guia sobre como pensar no meio-jogo mostra como a conta de material entra num plano.

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domingo, 1 de novembro17:00 – 17:45Horário de Buenos Aires (GMT-3)

Perguntas frequentes

Quanto vale cada peça de xadrez?
Na escala clássica, medida em peões, o peão vale 1, o cavalo 3, o bispo 3, a torre 5 e a dama 9. O rei não tem valor em pontos porque perdê-lo é perder a partida.
O que vale mais, o bispo ou o cavalo?
Em média valem quase a mesma coisa. O bispo costuma ser melhor em posições abertas e com peões nas duas alas; o cavalo, em posições fechadas e quando tem uma casa fixa no centro. O que vale mais que um cavalo é o par de bispos.
O que é ganhar a qualidade no xadrez?
É trocar uma peça menor (bispo ou cavalo) por uma torre do adversário. Pela tabela é um ganho de uns dois peões, e com o resto equilibrado costuma bastar para vencer.
Quantos pontos vale o rei no xadrez?
Nenhum na escala de material, porque ele não pode ser trocado. Nos finais, quando já não há risco de mate, sua força como peça de ataque e defesa costuma ser comparada à de uma peça menor.
É preciso seguir sempre a tabela de valores?
Não. Ela é um guia para contar trocas sem pensar demais, mas a atividade das peças, a segurança do rei e os peões passados podem valer mais que um peão ou até uma peça.

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Se quiser levar isso para a prática com material organizado:

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