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Os finais de xadrez que você precisa saber de qualquer jeito

Cinco finais que aparecem o tempo todo e decidem meios pontos. Quanto tempo leva aprendê-los e por que é o estudo que mais rápido devolve.

Por AcademiaTal8 min de leitura

De todas as áreas do xadrez, os finais são a que mais rápido devolve pontos por hora estudada, e a que quase todo mundo deixa para depois. O motivo é compreensível — não são divertidos — e o custo é alto: meio ponto perdido num final vale exatamente o mesmo que uma partida inteira dada de presente na abertura.

Estes cinco bastam para parar de perder o que estava ganho.

1. Rei e peão contra rei

É a base de tudo. Todos os outros finais terminam neste, então sem ele não dá para avaliar nenhuma troca.

O que é preciso saber:

A regra do quadrado. Para saber se um rei alcança um peão correndo para promover, desenhe mentalmente o quadrado que vai do peão à casa de promoção. Se o rei conseguir entrar nesse quadrado, alcança. Não é preciso contar lances.

A oposição. Com os reis frente a frente na mesma coluna, fileira ou diagonal, com um número ímpar de casas entre eles, quem não tem que mover está melhor. É o que decide a maioria desses finais.

As casas-chave. Com um peão, se o rei atacante chegar à casa duas fileiras à frente do peão, ganha independentemente de quem joga.

Tempo: uma hora. Serve para sempre.

2. Torre e peão contra torre

O final mais frequente do xadrez a partir do nível intermediário, e o que mais meios pontos entrega. Duas posições resolvem quase tudo:

A defesa de Philidor. Com o lado mais fraco: a torre na terceira fileira — do ponto de vista de quem defende —, impedindo o rei atacante de avançar. Quando o peão chega a essa fileira, a torre desce para a última e dá xeques por trás. É empate mesmo com um peão a menos.

A posição de Lucena. Com o lado mais forte, quando o peão chegou à sétima e o rei está à frente: constrói-se uma «ponte» com a torre para bloquear os xeques. É ganho.

Saber essas duas transforma uma quantidade enorme de finais perdidos em empates e de empates em vitórias.

Tempo: duas horas. É o melhor negócio de estudo que existe no xadrez.

3. Bispos de cores opostas

Com bispos de casas de cores diferentes, os empates são muito mais prováveis do que o material sugere. Um lado pode estar dois peões acima e não ganhar, porque o bispo defensor bloqueia em casas que o outro bispo nunca toca.

O que é preciso saber: com bispos de cores opostas, estar um peão acima quase nunca ganha, e dois peões às vezes também não. E ao contrário: se você está perdendo, trocar rumo a bispos de cores opostas é o seu melhor recurso defensivo.

Essa única ideia muda decisões de troca vinte lances antes do final.

4. Converter um peão a mais

Não é uma posição e sim uma técnica, e decide mais partidas do que qualquer posição concreta.

A regra: com material a mais, troque peças, não peões. Cada peça trocada faz o seu material extra pesar mais; cada peão trocado aproxima de um final de empate.

A segunda regra: ative o rei. No final o rei é uma peça forte, e o lado que o ativa primeiro costuma ganhar a corrida.

O erro clássico: defender o peão extra com tudo em vez de usá-lo para criar um peão passado e forçar concessões.

5. O peão passado e a oposição distante

Em finais de peões, quem consegue um peão passado afastado costuma ganhar mesmo com material igual: o rei adversário precisa ir detê-lo e abandona a outra ala.

O que é preciso saber: como criar um peão passado a partir de uma maioria — o peão que não tem um peão adversário à frente é o que avança primeiro — e como usar a ameaça para ganhar a outra ala.

Como estudá-los sem sofrer

Um de cada vez, com tabuleiro. Finais se aprendem movendo, não olhando. Monte a posição e jogue contra você mesmo até sair sem pensar.

Um por semana. Cinco semanas e estão os cinco.

Repita um mês depois. Um final esquecido é um final que você não tem.

Procure por eles nas suas partidas. Quando chegar a um destes, marque. Ver aparecer na sua própria partida algo que você estudou três semanas antes é o que fixa o aprendizado.

Os três conceitos que estão por baixo de todos

Os cinco finais acima se aprendem muito mais rápido se antes se entenderem três ideias que aparecem em todos eles. São a gramática dos finais:

A oposição. Dois reis frente a frente com uma casa no meio: quem não tem de mover manda, porque o outro é obrigado a ceder passagem. É a ideia que decide praticamente todos os finais de rei e peão, e se entende em dez minutos.

O quadrado do peão. Para saber se um rei alcança um peão passado sem calcular lance a lance: desenha-se mentalmente o quadrado que vai do peão até a sua casa de promoção; se o rei conseguir entrar nesse quadrado, alcança. É uma regra de um segundo que substitui trinta segundos de cálculo, e num final com pouco tempo isso vale uma partida.

O zugzwang. A obrigação de mover como desvantagem. No meio-jogo quase não existe; no final é o mecanismo que ganha metade das posições. Toda a técnica dos finais de rei e peão consiste em passar a vez ao outro.

Com essas três, os cinco finais deixam de ser cinco receitas e passam a ser cinco aplicações da mesma coisa, que é a diferença entre decorá-los e sabê-los.

Os três que vêm depois

Quando os cinco básicos estiverem prontos, estes três são os seguintes e cobrem quase tudo o que aparece num torneio de clube:

Dama contra peão na sétima. Parece sempre ganho e não é: com um peão de torre ou de bispo prestes a promover, há posições de empate por afogamento. Saber quais evita o desgosto de não ganhar com uma dama a mais.

Torre contra bispo. Empate com jogo correto, e uma tortura de trinta lances se você não souber em que canto se refugiar. A regra é curta e é preciso sabê-la: o rei defensor vai ao canto da cor contrária à do seu bispo.

Finais de torre com dois peões contra um do mesmo lado. É o final que mais aparece na prática depois do de um peão, e costuma ser empate. Sabê-lo evita jogar quarenta lances para perder uma posição que estava salva.

E uma regra geral que vale para todos eles e economiza estudo: quando há poucos peões, quase tudo é empate; quando há peões nas duas alas, quase tudo se ganha. Só essa frase orienta que trocas procurar e quais evitar muito antes de o final começar.

Como levar o final para a partida

De nada adianta sabê-los se você chega mal ao final, e isso se decide vinte lances antes:

Guarde tempo de relógio. É o item mais prático do artigo inteiro: a maioria dos finais de clube é perdida não por ignorância e sim com menos de dois minutos. Um final ganho precisa de precisão, e a precisão precisa de tempo.

Decida as trocas pensando no final que produzem. Antes de trocar a última peça menor, olhe que final sobra. «Troco e fico com final de torres com um peão a mais e o rei na frente» é um pensamento de dois segundos que decide a partida.

Ative o rei assim que as damas saírem. É o erro mais comum de todos: continuar tratando o rei como algo que se deve esconder quando ele já passou a ser uma peça que se deve usar. Num final, um rei ativo vale mais do que um peão.

E não tenha medo de entrar num final. Muita gente evita trocar peças porque o final lhe parece território desconhecido, e acaba jogando meios-jogos piores para evitar finais melhores. Cinco horas de estudo resolvem isso para sempre, que é exatamente o ponto deste artigo.

Por que rende tanto

Por uma assimetria: a maioria dos seus adversários também não os sabe. No meio-jogo você compete contra alguém que estudou mais ou menos o mesmo que você; no final, contra alguém que não estudou nada.

Cinco ou seis horas de estudo colocam você acima de quase toda a sua faixa na parte da partida em que os meios pontos são repartidos. Não há outra área do xadrez com essa relação.

Perguntas relacionadas

Quantas horas leva aprender os cinco? Entre cinco e seis, distribuídas em duas semanas. É a melhor relação entre tempo investido e partidas ganhas que o xadrez oferece, e a razão pela qual quase todo treinador começa por aqui.

Serve estudar finais se eu ainda perco peças? Menos do que a tática, e não zero: os três mates básicos e rei e peão convém saber desde o começo, porque são o que transforma uma partida ganha numa vitória. O resto pode esperar.

Como pratico um final sem adversário? Contra o motor, montando a posição e jogando até o fim pelos dois lados. É o único exercício em que o motor é um parceiro de treino ideal, porque não erra e não se cansa.

É preciso saber os finais de damas? Não em nível de clube. São enormemente complexos e aparecem pouco; o tempo rende muitíssimo mais nos de torre, que aparecem em metade dos finais que você vai jogar.

Perguntas frequentes

Que finais de xadrez estudar primeiro?
Rei e peão contra rei, e depois torre e peão contra torre. Os dois primeiros cobrem a maioria dos finais que realmente aparecem, e os de torre são os mais frequentes de todos a partir do nível intermediário.
Quanto tempo leva aprender os finais básicos?
Umas cinco ou seis horas no total para os cinco essenciais, distribuídas por algumas semanas. É, disparado, o estudo de xadrez que mais devolve pontos por hora investida.
Por que se perdem tantos finais de torre?
Porque parecem simples e não são: são os finais com mais recursos defensivos e mais formas de estragar uma posição ganha. Com duas posições aprendidas — Philidor e Lucena — a maioria desses erros desaparece.

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