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Como aprender xadrez do zero — guia para começar bem

O que aprender primeiro, em que ordem e o que pular. O caminho das primeiras regras até jogar partidas completas sem se sentir perdido.

Por AcademiaTal8 min de leitura

Começar no xadrez tem um problema que outros jogos não têm: há material demais disponível, e quase tudo foi feito para quem já sabe jogar. Você abre o YouTube procurando «como aprender xadrez» e em três cliques está assistindo à variante Najdorf.

Este é o caminho curto, na ordem que funciona.

Semana 1: as regras e três mates

As regras se aprendem em uma tarde: como cada peça se move, o roque, a captura en passant, a promoção, o xeque, o mate e os empates.

Mas há uma coisa que quase nunca é ensinada junto com as regras e deveria: como dar mate. É frustrante demais chegar a um final com uma dama a mais e não conseguir terminar. Três posições bastam:

  1. Rei e dama contra rei. Empurra-se o rei adversário para a borda com a dama, tomando cuidado para não afogar, e dá-se o mate com o próprio rei apoiando.
  2. Rei e torre contra rei. A mesma ideia, mas é preciso usar o rei ativamente. É o mais difícil e o que mais aparece.
  3. Duas torres contra rei. O mais fácil: uma torre corta fileiras enquanto a outra dá xeque. Chama-se «mate da escada».

Meia hora com cada um e você já consegue terminar qualquer partida que ganhar.

Semana 2: parar de dar peças

Aqui começam as partidas de verdade, e a primeira lição é a mais importante de todo o xadrez inicial: antes de mover, olhe o que o adversário pode comer.

Parece óbvio. Não é: a esmagadora maioria das partidas de iniciantes se decide porque alguém deixou uma peça onde podiam pegá-la.

A rotina, para a vida toda:

  • Que xeques o adversário tem?
  • Que capturas ele tem?
  • O que o último lance dele ameaça?

Três perguntas, cinco segundos, e você já está acima da média da sua faixa.

Ao mesmo tempo, comece com tática básica: cravada, ataque duplo, garfo de cavalo, mate do corredor. Dez minutos por dia. São os padrões com que se ganham partidas quando ninguém sabe estratégia ainda.

Semanas 3 e 4: a abertura, em três regras

É aqui que quase todo mundo se perde estudando variantes. Não precisa. Três princípios cobrem bem os primeiros dez lances de quase qualquer partida:

1. Ocupe o centro com um peão. e4 ou d4 de brancas; e5, d5, c5 ou e6 de pretas. O centro é de onde as peças alcançam tudo.

2. Desenvolva cavalos e bispos para o centro, e roque. Cavalos antes dos bispos, e o rei guardado antes do lance dez.

3. Não mova a mesma peça duas vezes sem motivo, e não tire a dama cedo. A dama sai cedo, é perseguida, e você perde quatro lances enquanto o adversário desenvolve.

Com isso você chega ao lance doze com uma posição jogável contra qualquer um do seu nível. Todo o resto é luxo por enquanto.

Mês 2: os finais que importam

Quando você para de dar peças, muitas partidas começam a chegar ao final. E ali se perde uma quantidade enorme de meios pontos por não saber três coisas:

  • Rei e peão contra rei: a oposição e a regra do quadrado.
  • Como promover um peão com o rei apoiando.
  • Torre e peão contra torre: a defesa de Philidor.

É menos material do que parece e decide partidas para sempre.

O que pular no começo

As aberturas com nome. Siciliana, Francesa, Índia do Rei: são excelentes e não são para o primeiro mês. Antes da variante é preciso entender por que se desenvolve.

Os vídeos de partidas de elite. São divertidos e ensinam quase nada nessa altura: passam rápido demais pelo que você ainda não enxerga.

O motor. No começo diz «erro» o tempo todo sem explicar nada, e desanima.

Como praticar

Jogue contra pessoas, não contra o computador. O computador em nível baixo joga mal de um jeito estranho — faz lances absurdos — e isso não prepara para nada.

Comece com ritmos de dez ou quinze minutos. Com três minutos não há tempo de aplicar a rotina de conferência, que é justamente o que você está instalando.

Anote uma frase depois de cada derrota. «Dei o cavalo», «não soube o que fazer no lance quinze», «perdi o final». Dez frases e você já sabe o que estudar.

Mês 3: a primeira partida contra alguém

Chega um ponto em que praticar sozinho deixa de render, e esse ponto é mais cedo do que quase todo mundo imagina: por volta do terceiro mês. O que falta a essa altura não é mais material, é um adversário que não seja um programa.

Contra o motor se aprende mal a partir de certo ponto. Um motor não comete erros humanos, então você não treina a castigá-los, e no nível de dificuldade baixo comete erros que um humano não comete, então também não. É útil para praticar finais concretos e bem pouco para o resto.

Contra uma pessoa aparecem três coisas que só aparecem ali: o nervosismo, que muda o jeito de pensar; a necessidade de antecipar alguém que tem um plano; e a possibilidade real de ganhar, que é o que engancha.

Onde encontrar adversários do seu nível: qualquer plataforma on-line com emparceiramento por rating — é o mais fácil e o que se deve fazer primeiro —, um clube local, ou simplesmente alguém que também esteja começando. Este último é o mais subestimado: duas pessoas que começam juntas sustentam o hábito muito mais do que uma sozinha.

Os primeiros seis meses, mês a mês

Posto num calendário, para saber se você vai bem:

Mês 1 — as regras e não dar peças. As regras, os três mates básicos, e a rotina de olhar antes de mover. No fim do mês você deveria conseguir jogar uma partida inteira e ganhar de alguém que aprendeu ontem.

Mês 2 — os finais elementares e as primeiras aberturas. Rei e peão, os três princípios de abertura, e quinze minutos de tática por dia. No fim do mês, a maioria das suas derrotas já não deveria ser peça dada num lance.

Mês 3 — jogar a sério contra gente. Partidas longas, uma ou duas por semana, contra adversários do seu nível. E começar a olhar a partida terminada, nem que sejam cinco minutos.

Mês 4 — analisar. Duas partidas por semana revisadas de verdade. É o mês em que a curva muda de inclinação e quase ninguém faz.

Mês 5 — o meio-jogo. As perguntas de avaliação, os planos curtos, a estrutura de peões. É quando o xadrez começa a fazer sentido em vez de ser uma sucessão de ameaças.

Mês 6 — o primeiro torneio, se você quiser. Não é obrigatório e é a melhor forma de comprovar o quanto avançou. E se não, um clube: o que importa é jogar contra gente que estuda.

Os cinco erros de quem começa sozinho

E para terminar, o que faz alguém passar seis meses sem avançar tendo feito tudo com boa vontade:

Estudar aberturas primeiro. É a armadilha número um, porque é o mais fácil de encontrar na internet e o mais parecido com «estudar». Não serve de nada até você parar de perder peças.

Jogar só partidas de três minutos. É o mais divertido e o que menos ensina. Com três minutos não há tempo de aplicar nada do que você está aprendendo.

Trocar de método toda semana. Um vídeo hoje, um livro amanhã, um aplicativo depois. O xadrez é cumulativo e trocar de fonte toda semana impede que qualquer coisa se acumule.

Nunca jogar contra gente. Dá para passar um ano inteiro contra o motor e chegar a um nível surpreendentemente baixo, porque falta metade da habilidade.

E medir o progresso pelo rating em quinze dias. O rating das primeiras semanas é puro ruído, e olhá-lo é a forma mais rápida de desanimar justo quando tudo está indo bem.

Quando vale a pena ter alguém ensinando

Dá para aprender sozinho, e muita gente faz. O que uma aula economiza no começo é a ordem: quem olhar suas primeiras partidas diz em vinte minutos o que você levaria três meses para descobrir, e sobretudo tira da frente os três ou quatro erros que viram costume se ninguém apontar a tempo.

Depois disso, o xadrez fica divertido mais rápido. E, nessa altura, se divertir é a parte mais importante do método: o iniciante que se diverte continua jogando, e quem continua jogando melhora.

Perguntas relacionadas

Quanto tempo até eu jogar uma partida completa sem ajuda? Uma tarde para as regras e umas duas semanas para a partida fazer sentido do começo ao fim. A parte que mais demora não é aprender os movimentos e sim terminar uma partida ganha, que são os três mates básicos.

Preciso de um tabuleiro físico para começar? Não, e ajuda. Dá para aprender tudo numa tela; um tabuleiro de trinta dólares faz as posições ficarem mais claras e é imprescindível se em algum momento você for jogar presencial.

Contra quem jogo as primeiras partidas? Contra gente do seu nível em qualquer plataforma com emparceiramento por rating. O motor no nível fácil ensina mal, porque comete erros que um humano não comete.

O que faço se todo mundo ganhar de mim? É o normal no primeiro mês e não significa nada. A única coisa a olhar nessa etapa é se as suas derrotas são por peças dadas num lance; enquanto essa for a causa, a resposta é sempre a mesma.

Perguntas frequentes

Quanto tempo leva para aprender a jogar xadrez?
As regras se aprendem em uma tarde. Jogar uma partida completa sem se sentir perdido leva umas duas ou três semanas de prática. Jogar razoavelmente bem — com planos e sem dar peças — é questão de alguns meses.
O que aprender primeiro no xadrez?
Como as peças se movem e os três mates básicos: dama e rei, torre e rei, e duas torres. Sem saber dar mate, uma partida ganha não pode ser terminada, e isso desanima mais do que perder.
Preciso decorar aberturas para começar?
Não, e é contraproducente. No começo bastam três princípios: desenvolver as peças para o centro, rocar cedo e não mover a mesma peça duas vezes sem motivo. Isso cobre os primeiros dez lances de quase qualquer partida.

Cursos que tratam disso

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