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Sistema Jobava: ideias, planos e como jogar de brancas

O que o Sistema Jobava busca com 2.Cc3 e 3.Bf4, como funcionam o salto a b5, o roque grande e os ataques na ala do rei, e como enfrentá-lo de pretas.

Por AcademiaTal7 min de leitura

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O Sistema Jobava é a versão agressiva do London: as brancas jogam 1.d4, levam o cavalo para c3 e o bispo para f4 antes de mexer o peão e. Com isso ameaçam saltar para b5 contra c7, preparam a ruptura e4 e muitas vezes fazem o roque grande para lançar os peões da ala do rei contra o roque preto.

1.d4 d5 2.Cc3 Cf6 3.Bf4

A mesma posição surge depois de 1.d4 Cf6 2.Cc3 d5 3.Bf4. O nome homenageia o grande mestre georgiano Baadur Jobava, várias vezes campeão do seu país e campeão europeu de xadrez rápido em 2011, que chegou a estar entre os vinte melhores do mundo com um rating máximo de 2734. Muitos também o chamam de Rapport-Jobava, porque o grande mestre húngaro Richard Rapport também o levou à elite.

A ideia em uma frase

O bispo sai para f4 enquanto a diagonal está aberta, o cavalo de c3 mira b5, d5 e e4, e as brancas decidem depois se jogam um meio-jogo posicional ou um ataque direto com o rei na outra ala.

A ordem dos lances importa. Se as brancas jogam e3 antes de Bf4, o bispo fica preso e o sistema perde o sentido. E se o peão vai para c3, como no London, some o salto para b5, que é o que mais incomoda as pretas nos primeiros lances.

Em que ele difere do London

No Sistema London as brancas montam uma cadeia com c3, d4 e e3, e o plano vem depois: o cavalo em e5, a bateria contra h7, o avanço h4. É um esquema que aguenta quase tudo e se joga com calma.

O Jobava troca esse peão por uma peça, e isso muda todo o resto:

  • O peão c fica atrás do cavalo, então a estrutura é menos sólida. Em troca, o desenvolvimento é mais rápido.
  • O cavalo controla e4, o que torna possível a ruptura e4 em muitas linhas, algo que o London quase nunca tem.
  • O roque grande é uma opção real. Com Dd2 e o cavalo em c3, as brancas podem rocar do lado da dama em poucos lances e empurrar f3, g4 e h4.
  • As pretas não podem montar o esquema de sempre no piloto automático. Contra o London, ...c5 e ...Db6 incomodam; contra o Jobava, cada lance das pretas precisa levar em conta o salto para b5.

As armas das brancas

O salto para b5

O peão de c7 é defendido só pela dama e atacado pelo bispo de f4. Se o cavalo chega a b5, são dois atacantes contra um defensor. Por isso, contra 3...e6, o lance mais jogado hoje é 4.Cb5, e as pretas precisam reagir. A resposta mais comum é cobrir c7 com o cavalo vindo de a6:

1.d4 d5 2.Cc3 Cf6 3.Bf4 e6 4.Cb5 Ca6 5.e3 Be7 6.Cf3 O-O

Outras respostas são 4...Bb4+, que depois de 5.c3 Ba5 mantém o bispo ativo, e 4...Bd6, que entrega o par de bispos: depois de 5.Cxd6+ cxd6 as pretas têm um centro firme, mas as brancas ficam com os dois bispos a longo prazo. O que não dá é ignorar a ameaça. Com 1.d4 d5 2.Cc3 Cf6 3.Bf4 e6 4.Cb5 Cc6 o cavalo não defende c7, e 5.Cxc7+ ganha material.

A ruptura e4 e o jogo com f3

Com o cavalo em c3, o avanço e4 está sempre no ar. Às vezes as brancas o preparam com f3, sobretudo quando as pretas levaram o bispo para f5: o peão tira a casa e4 e prepara g4 para expulsar o bispo.

1.d4 d5 2.Cc3 Cf6 3.Bf4 c6 4.Dd2 Bf5 5.f3

É uma linha de ataque, não de desenvolvimento: as brancas enfraquecem a própria ala do rei para ganhar espaço e tempo, e por isso costumam combiná-la com o roque grande.

O roque grande e a avalanche de peões

Quando as pretas rocam pequeno, uma ideia típica é Dd2, O-O-O e o avanço h4-h5 ou g4. Os reis ficam em alas opostas e ganha quem chega primeiro. Muitos adversários de clube não gostam desse tipo de posição, e é por isso que o Jobava rende tanto em partidas rápidas.

Os sacrifícios em d5 e a ruptura f4

Quando o centro se abre e o rei preto ainda não está seguro, as peças brancas podem golpear em d5: o cavalo ou o bispo são entregues para abrir a coluna e ou a diagonal contra o rei. Não são lances para fazer de memória: funcionam em posições concretas e precisam ser calculados. A outra ideia de ataque é a ruptura f4, depois que o bispo mudou de casa ou foi trocado, para apoiar um cavalo em e5 ou abrir a coluna f contra o roque.

As principais respostas das pretas

3...c5: abrir o centro

É a resposta mais direta. Depois de 4.e3 o normal é trocar em d4:

1.d4 d5 2.Cc3 Cf6 3.Bf4 c5 4.e3 cxd4 5.exd4 a6

O lance 5...a6 virou a resposta padrão porque qualquer outra coisa permite 6.Cb5, com a pressão de sempre sobre c7. As brancas ficam com um peão isolado em d4 ou algo parecido e peças ativas, e as pretas com um alvo claro para o meio-jogo.

3...e6: o sólido, com cuidado

Leva às posições do salto 4.Cb5 que vimos acima. As pretas têm um esquema firme, mas precisam gastar um lance cobrindo c7, e isso dá tempo às brancas para se desenvolverem.

3...Bf5: o espelho

As pretas tiram o bispo antes de prendê-lo com ...e6. Uma continuação tranquila é 4.Cf3 e6 5.e3, com um meio-jogo de estrutura simétrica; o caminho ambicioso passa por f3 e g4 para perseguir o bispo.

3...g6: o fianqueto

Contra um esquema de Índia do Rei ou de Grünfeld, o Jobava tem um plano bem reconhecível: trocar o bispo de g7 com Bh6 e lançar o peão h.

1.d4 d5 2.Cc3 Cf6 3.Bf4 g6 4.Dd2 Bg7 5.Bh6

Sem o bispo de g7, o roque preto fica fraco nas casas escuras e o avanço h4-h5 ganha força. As pretas precisam buscar contrajogo rápido no centro ou na ala da dama.

3...a6: tirar o veneno

É o lance prático por excelência contra o Jobava, muito popular no xadrez online: não faz nada espetacular, mas controla b5 antes que o cavalo chegue. Depois as pretas podem jogar ...e6, ...c5 ou ...Bf5 sem se preocupar com c7. As brancas continuam com seu desenvolvimento e a ruptura e4, mas o sistema perde seu golpe mais incômodo.

Os erros típicos

  • Jogar e3 antes de Bf4. O bispo fica preso e a abertura vira um Colle ou um London mal montado.
  • Saltar para b5 sem propósito. Se as pretas já cobriram c7 e controlam a6, o cavalo em b5 pode ficar fora de jogo e ter de voltar.
  • Atacar sem o centro estável. O roque grande e g4 funcionam quando o centro está fechado ou controlado; com o centro aberto, o rei branco em c1 também é um alvo.
  • Sacrificar em d5 por reflexo. Os golpes do Jobava são táticos e concretos; sem cálculo, você simplesmente perde uma peça. Revise os motivos em táticas de xadrez e as armadilhas da primeira fase em armadilhas de abertura.
  • De pretas, não ver Cb5. É o erro mais frequente em partidas rápidas: um lance natural que deixa c7 atacado duas vezes.

Para quem é o Jobava?

Para quem joga 1.d4 e quer posições com iniciativa sem encher a memória com a teoria do Gambito da Dama. É uma excelente segunda arma, para surpreender um adversário que se preparou contra o London, e também um repertório principal para quem gosta de atacar e não tem medo de roques opostos. Se você ainda está escolhendo o que jogar, comece por como escolher uma abertura.

Como estudar

Primeiro, a ordem dos lances e a ameaça Cb5: quais respostas a permitem e quais a neutralizam. Segundo, um plano para cada resposta das pretas: contra ...c5, a estrutura com peão em d4; contra ...g6, Dd2 e Bh6; contra ...a6, o desenvolvimento tranquilo e a ruptura e4. Terceiro, partidas completas de ataque, para ver quando os sacrifícios em d5 funcionam e quando não.

O curso London e Jobava: ideias, modelos e ataque, com os grandes mestres Leonardo Tristán e Andrés Rodríguez Vila, dedica três aulas ao Jobava: os sacrifícios em d5, a ruptura f4 e a expansão na ala do rei. Se você quer usá-lo como arma surpresa dentro de um repertório mais amplo, Fora do livro o inclui entre suas seis aberturas, e Abertura, tática e estratégia aborda o Jobava pelo lado das pretas.

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Perguntas frequentes

O que é o Sistema Jobava?
É um sistema para as brancas que surge com 1.d4 d5 2.Cc3 Cf6 3.Bf4. Ele mantém o bispo em f4 do London, mas coloca o cavalo em c3 no lugar do peão, o que o torna muito mais agressivo.
Qual a diferença entre o Jobava e o Sistema London?
No London o peão vai para c3 e a estrutura é uma cadeia sólida; no Jobava o cavalo vai para c3, o que permite o salto Cb5 contra c7, a ruptura e4 e, com frequência, o roque grande com avanço de peões na ala do rei.
Por que se chama Jobava?
Por causa do grande mestre georgiano Baadur Jobava, que o jogou durante anos na elite. Também é conhecido como Rapport-Jobava, por causa do grande mestre húngaro Richard Rapport, outro de seus grandes adeptos.
Como jogar contra o Jobava de pretas?
O jeito mais simples de tirar o veneno é controlar b5 a tempo, por exemplo com ...a6, e desenvolver sem deixar o peão de c7 atacado duas vezes. Contra ...g6 é preciso conhecer o plano Dd2 e Bh6 das brancas.
O Sistema Jobava é bom para iniciantes?
Serve para quem quer posições com iniciativa sem estudar muita teoria, mas exige cálculo: seus golpes táticos funcionam em posições concretas. Para quem prefere um esquema mais tranquilo, o London clássico é o primeiro passo natural.

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